Um caminho de esperança para médicos e pacientes que buscam a cura de tumores graves no cérebro se abriu esta semana no Hospital Márcio Cunha (HMC), em Ipatinga. Pela primeira vez na região Leste de Minas Gerais, um paciente do Sistema Único de Saúde foi submetido, com sucesso, à chamada radiocirurgia na cabeça, um procedimento que mobilizou dezenas de profissionais na Unidade II e na Unidade de Oncologia do hospital.

“Radiocirurgia é a precisão do tratamento da radioterapia”, pontua o Dr. Harley Francisco de Oliveira, médico da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, que participou do processo. “A partir dessa precisão, nós conseguimos empregar uma alta dose de radiação no tratamento, em apenas uma sessão e conseguimos proteger todas as áreas ao redor do tumor. Então as margens de segurança de um tratamento são muito bem ajustadas apenas para o local da doença. É isso que confere a qualidade do tratamento e a precisão da radiocirurgia”, explica.

A paciente é uma mulher de 52 anos com diagnóstico de câncer de mama e metástase cerebral. O ponto crítico de uma lesão metastática cerebral é a necessidade de ser priorizada e tratada rapidamente no paciente. “Assim, quando você faz esse procedimento em um período muito curto e com a dose que precisa, o paciente já está pronto para dar seguimento aos demais tratamentos (radioterapia, quimioterapia) para as demais áreas do corpo. É uma maneira muito inteligente de entregar o que ele precisa, sem interferir nas demais ações para ajudá-lo no controle da doença”, completa o Dr. Luciano de Souza Viana, coordenador médico da Unidade de Oncologia.

Radiocirurgia - Elvira N (95)A tecnologia é fruto dos investimentos recentes da Fundação São Francisco Xavier, braço social da Usiminas na área da saúde e mantenedora do hospital. Realizada pelo acelerador linear – o equipamento de radioterapia – a partir da inteligência de um avançado software, a radiocirurgia é indicada para tumores malignos no cérebro a partir de metástases, tumores benignos no sistema nervoso central e para má-formações arteriovenosas (MAB) que podem levar a um acidente vascular cerebral. A ideia é incorporá-la na rotina dos pacientes que têm essas indicações. Para o médico, os resultados, com a progressiva redução do tumor, podem ser notados entre a sexta e oitava semana após o procedimento. “Não é uma técnica para todos os pacientes, já que depende muito do tamanho da lesão e das características da doença”, pondera.

Integração de profissionais e benefícios

A eficiência de um tratamento de alta complexidade como este vem não apenas da tecnologia, mas também do trabalho integrado de diversas áreas para executar toda a logística com a paciente, desde a Internação e do Gerenciamento de Leitos, passando pela Farmácia e Medicina Diagnóstica, até a Oncologia. Além disso, são necessários pelo menos quatro especialistas: um radio-oncologista, um físico médico, um neurocirurgião e um oncologista.

Radiocirurgia - Elvira N (164)“Primeiro, o paciente passa por uma ressonância magnética, para conseguir determinar o local exato da lesão. É submetido ainda à colocação do halo estereotáxico (um aro de fixação na cabeça) pelo neurocirurgião. Depois, passa por uma tomografia de localização da área a ser tratada. A junção dessas duas imagens, de ressonância e de tomografia, é que permite a delimitação mais precisa da área a ser tratada”, descreve o Dr. James Wagner Moraes, médico neurocirurgião do Hospital Márcio Cunha.

Ou seja, é como se fosse uma cirurgia, porém em um “ambiente ambulatorial”, o que dispensa a necessidade de internação do paciente. Isso se traduz em benefícios, ao eliminar, por exemplo, a anestesia e a recuperação do pós-operatório, além de doses de radioterapia e todos os efeitos de reação do tratamento. “É uma redução significativa dos efeitos colaterais”, conclui.

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