Quando me convidaram pela primeira vez para conhecer Santana do Paraíso fiquei super empolgado, já imaginando que a cidade seria uma das mais belas da região. Quando cheguei na estrada de acesso, porém, quase dei meia-volta para Valadares, já que tinha muita poeira e poucos carros passando pela via, não asfaltada. Seria essa mais uma aventura de índio ou será que a viagem compensaria? Pode ter certeza que valeu não só a pena, mas a galinha inteira.

Chegando ao município não há nada que chame a atenção, a não ser uma gigantesca escola top de linha de dar inveja a muitas escolas públicas das grandes cidades. No entanto, na zona rural de Santana do Paraíso encontrei os tesouros que procurava.

Belas e lindas cachoeiras que realmente fazem do lugar, localizado a 107 quilômetros de Valadares, segundo o Google Maps, um paraíso. Para quem desejar chegar ao local sem precisar pegar a “temida” estrada de chão, há opções que só me foram expostas após a viagem, passando por Ipatinga. Porém, a viagem passa a ter 126 quilômetros, mas vale a pena. Para quem gosta de aventura, no entanto, a estrada de chão também poderá render boas fotos em meio às plantações de eucalipto, que dominam de forma imponente e soberana a região.

A cidade é rodeada por várias cachoeiras. Uma delas foi onde decidimos parar e passar o dia: a Cachoeira Bela Vista. A entrada custa R$ 15, por pessoa. Mas o valor se torna ínfimo perto da beleza do local, que também oferece restaurantes, banheiros e churrasqueiras.

A vista é magnífica. A água desce lentamente por uma pedra gigantesca, rodeada de trilhas. No primeiro cenário há uma grande piscina natural, onde a maioria dos banhistas passa o dia. Na realidade, a piscina é uma barragem feita no local. Da barragem, a água escorre para uma outra piscina, mais rasa, que fica lotada de crianças que aproveitam para escorregar sentadas nas pedras até um pequeno lago. Em todo o ambiente há muita grama, onde os banhistas podem estender lençóis e pegar um sol. Também há muitas árvores, para quem prefere ficar na sombra.

O clima de montanhas, que no inverno chega a cerca de 14 graus, numa altitude de aproximadamente 800 metros acima do nível do mar, pode ser sentido na localidade do Córrego Achado, ou simplesmente Achado, na zona rural de Santana do Paraíso, na Região Metropolitana do Vale do Aço.

O lugar, pontuado por sítios e pequenas propriedades rurais, é um dos mais promissores espaços para o turismo rural na região, onde também se pode praticar o turismo de aventuras, como o voo livre, o rapel, o montanhismo, o ciclismo e outras modalidades, como o turismo contemplativo. A localidade de Córrego do Achado é uma das dez da zona rural de Paraíso, a 11 km do centro da cidade, onde o turista se depara com uma vastidão de montanhas, num cenário repleto de cachoeiras e muitas lagoas que ainda permanecem intocadas.

O município possui uma rede hidrográfica muito rica. Os riachos, na maioria, têm sua nascente a noroeste do Município, onde se situa a Serra do Achado. O manancial hidrográfico de Santana do Paraíso é formado por 16 córregos, três ribeirões (Ipanema, Achado e Taquaraçu), que formam as cachoeiras da Bela Vista, Paraíso e Engenho Velho – esta última está atualmente sob administração da Fundação Lumar e é fechada ao público.

O córrego do Achado forma o Circuito das Cachoeiras e outras belas corredeiras ao longo de seu percurso, que podem ser vistas apenas em caminhadas ou pelas estradas que margeiam o curso d’água. Aliás, a fartura de água é outra característica da localidade, onde se pode ver brotar águas das pedras, de minas à beira da estrada ou escondidas nos altos das montanhas que se reúnem para dar forma a monumentos naturais e hídricos de grande beleza – e que por isso e pela sua preciosidade devem ser preservados.

Apesar de todo o seu potencial turístico, a região ainda é pouco explorada e as políticas para a ocupação ordenada e cuidadosa destes espaços ainda não foram definidas. Praticamente não existem locais de hospedagens.

O restaurante da Fizica, no Achado, é o único que fornece refeições e possui infraestrutura para receber os visitantes. A comida tipicamente mineira, feita na gordura de porco, normalmente é um prato composto de arroz, feijão, carne de porco conservada na própria banha, ovo caipira, couve picada e a tradicional lingüiça suína produzida pelos proprietários do restaurante, que é a prata da casa. A farinha de milho torrada e pimenta só enriquecem o prato.

Além do restaurante da Fizica, outra opção é o Bar do Eduardo, à beira da estrada, onde os visitantes podem relaxar, ouvir uma prosa ou outra, beber uma cerveja gelada e até fazer um churrasco. Mas combinando direitinho, dá pra sair uma galinha caipira ou uma feijoada, de preferência se tratado antecipadamente.

Nos restaurantes os visitantes podem comer salgados ou pedir o tradicional feijão tropeiro de Minas, que encanta até turistas estrangeiros. A sensação, realmente, é a de um paraíso. Não só pelas belezas naturais, mas pela paz, preservação e momentos que podem ser eternizados em boa companhia, que é o mais importante em qualquer viagem.

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